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BTG, Datagro, Platts e SCA: Todos discordam de redução na mistura de etanol à gasolina

Uma declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem gerado debate no setor sucroenergético nos últimos dias: “O preço da gasolina pode diminuir um pouco se diminuir a concentração de etanol na gasolina”. A afirmação do chefe do executivo federal aconteceu em uma transmissão ao vivo feita por meio de suas redes sociais no último dia 23.


De lá para cá, as discussões sobre o tema avançaram e, segundo uma fonte do agronegócio consultada por colunistas do jornal O Globo no último dia 7, a redução deve mesmo acontecer: “Só falta anunciar”. Segundo ela, o percentual deve cair para 18%, índice mínimo permitido por lei.


Entretanto, especialistas ouvidos pelo NovaCana e relatórios de especialistas não acreditam que diminuição seria benéfica.

O BTG Pactual destaca, em documento do dia 28 de setembro, que um dos motivos pelo preço do etanol estar subindo mais do que o da gasolina nos últimos meses é o efeito negativo do clima na produtividade dos canaviais. O NovaCana constatou em um levantamento recente, a perspectiva de uma redução de 13% na moagem em 2021/22 no comparativo com a temporada anterior.


De acordo com o banco, uma diminuição da mistura em cinco pontos percentuais – dos atuais 27% para 22% – geraria uma diminuição no preço final de 0,4% considerando os preços e as alíquotas de impostos em São Paulo. Já se a redução fosse para o mínimo possível, de 18%, o valor na bomba cairia 0,6%, o equivalente a R$ 0,04/L.


“Só para referência, isso equivale a uma variação insignificante de 2% do preço da Petrobras na refinaria, ou não muito mais do que os preços do [petróleo] brent variam a cada dia. Então, claramente, isso faz muito pouco para efetivamente conduzir a uma mudança na percepção da inflação ou até mesmo ajudar a popularidade do governo”, destaca o relatório.


Por sua vez, a Datagro estima uma cifra semelhante. Conforme a consultoria, caso houvesse a diminuição da mistura de 27% para 18%, o preço médio da gasolina C para o consumidor de São Paulo retraria em 0,6%, de R$ 5,775/L para R$ 5,742/L – ou seja, R$ 0,03/L.


“[Esse é] um benefício negligenciável à luz dos custos que o país teria para compensar o menor teor de anidro na gasolina”, completa a empresa, que também cita o possível impacto do balanço de oferta e demanda de etanol.

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