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Em 10 anos, milho pode ultrapassar cana na produção de etanol, diz CEO da Millenium

Com empreendimentos no Brasil e no exterior, a Millenium Bioenergia está criando uma espécie de consórcio integrador, formado por companhias que atuam em torno da produção e do desenvolvimento do setor sucroenergético e de commodities. Com isso, a companhia se posiciona como um grupo voltado ao etanol de milho, mas que optou por desenvolver o mercado antes de iniciar as operações em sua primeira unidade.


Uma das apostas da empresa é o modelo total flex, onde as usinas podem produzir biocombustível à base de cana-de-açúcar e de milho durante todo o ano – ele se difere do flex convencional, onde o uso do grão estaria restrito à entressafra de cana de açúcar. Segundo o CEO da Millenium, Eduardo Lima, a estratégia pode ser replicada em usinas no mundo inteiro com alta eficiência, utilizando tecnologia brasileira.


“A visão foi desenvolver um modelo de negócio e abordagem de mercado para que, no futuro, nós tivéssemos preparados para mostrar para o mercado o que ninguém conhecia ainda. Sabíamos que o Brasil tinha um potencial enorme”, afirma e justifica: “Os Estados Unidos plantam milho durante meio ano, enquanto o Brasil tem duas safras, além do grão brasileiro ser de melhor qualidade”.

De acordo com ele, até 2014, a companhia tentava convencer as usinas de cana-de-açúcar a produzir o etanol de milho na entressafra. Depois, entretanto, a Millenium resolveu investir em seus próprios projetos.


A otimização, presente neste modelo de negócio que a empresa busca desenvolver, permite que as duas unidades industriais (cana e milho) utilizem uma única estrutura que engloba a parte corporativa, manutenção, destilaria, cogeração, armazenagem, tancagem, utilização de resíduos, mão-de-obra e logística.


“Uma vantagem é que – ao contrário da cana, que precisa estar ao lado da usina – o milho pode ser estocado. Ele é commodity. Eu não preciso plantar um pé de milho para produzir etanol. Eu posso comprar de qualquer lugar e vai compensar”, explica.


“Enquanto o açúcar tem dois coprodutos, o milho tem cinco. Um dos nossos projetos vai fornecer gás carbônico para uma unidade da Coca-Cola”, Eduardo Lima (Millenium Bioenergia)

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