• Folha de São Paulo

Estoques de combustíveis no Brasil serão acompanhados diariamente

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) declarou nesta terça-feira (22) sobreaviso no abastecimento de combustíveis no país, determinando que refinarias e distribuidoras informem diariamente seus estoques para acompanhamento da oferta.

A decisão ocorre em um cenário de crescimento da demanda que elevou a dependência brasileira de importações de óleo diesel em meio a incertezas sobre a evolução dos preços internacionais dos combustíveis.

Em nota, a agência diz que, "no momento, o abastecimento está regular em todo o território nacional" e que o sobreaviso "visa tão somente permitir que esse acompanhamento dos estoques e das importações de produtores e distribuidores seja intensificado".

A medida segue iniciativa do MME (Ministério de Minas e Energia), que criou no último dia 11 um grupo de trabalho para estudar medidas para evitar problemas no abastecimento de combustíveis no país diante das incertezas geradas pela guerra na Ucrânia.

Distribuidores e revendedores vinham reclamando de dificuldades pontuais para encontrar combustíveis diante da redução de importações privadas quando os preços da Petrobras tinham grandes defasagens em relação às cotações internacionais.

A própria estatal usou o risco de desabastecimento como uma das justificativas para o mega-aumento nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha implementado no último dia 11.

A ANP cita como justificativa "a geopolítica mundial atual". O mecanismo do sobreaviso, diz a agência, "permite o monitoramento dinâmico do abastecimento, subsidiando possíveis ações preventivas", sendo utilizada também em situações como paradas de refinaria ou interrupção em dutos.

Com a implantação desse mecanismo, refinarias e distribuidoras têm que informar até as 12h de cada dia quanto têm de combustíveis em seus estoques.

Executivos do setor de combustíveis consultados pela Folha dizem que ainda não há sinais de problemas graves de abastecimento, mas o risco permanece, já que o prazo entre a decisão de importar e a chegada dos navios leva entre 45 e 60 dias.

As vendas de óleo diesel no país cresceram 5% no primeiro bimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já as vendas de gasolina cresceram 8,4%, com a maior vantagem do produto sobre o etanol no início do ano.

Com maior consumo, as importações líquidas de diesel mais que dobraram no período, chegando a 2,2 bilhões de litros, segundo os dados da agência, levando a dependência externa a 41%, contra uma média de 25% nos últimos anos.

Na gasolina, também houve expressivo crescimento na dependência externa, que chegou a 16,5%, com a importação líquida de 776 milhões de litros nos dois primeiros meses do ano.

Os reajustes promovidos pela Petrobras reduziram as defasagens em relação às cotações internacionais, mas a pressão por alterações na política de preços da estatal gera ainda grande incerteza sobre as operações de importação de combustíveis para o país.

Há uma semana, quando as cotações internacionais do petróleo despencaram por temor de nova onda de Covid-19 na China, o preço do diesel no mercado interno chegou a ficar mais caro do que no exterior, detonando uma onda de cobranças sobre a Petrobras, mas a situação logo se inverteu.

Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), nesta terça a defasagem no preço interno do diesel é de 14%, ou R$ 0,72 por litro. Na gasolina, a diferença é de R$ 0,49 por litro, uma defasagem de 11%.

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