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Indústria de biodiesel quer mudanças nas regras do Renovabio em 2022

A indústria de biodiesel e outros biocombustíveis obtidos a partir de grãos e oleaginosas estuda propor mudanças no modelo atual do Renovabio para aumentar a participação do setor na emissão de CBios, os chamados Créditos de Descarbonização, que atestam a eficiência na produção de combustíveis renováveis. Segundo o economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral, a entidade pleiteará um sistema de pré-habilitação para armazéns, cooperativas e produtores que fornecem matéria prima ao setor no próximo ano.


“A dificuldade das cadeias produtivas mais longas, como no caso da soja por exemplo, é que elas têm uma rede de fornecedores muito ampla. Temos venda direta de fornecedores para fábrica, de fornecedores que vai pra silos e armazéns e depois pra fábrica, e temos também a venda por meio de empresas intermediarias”, explicou o economista.


Atualmente, o programa mantido pelo Renovabio exige a rastreabilidade da matéria-prima para a certificação e emissão do CBio – o que dificulta a adesão por parte da indústria de óleos vegetais.


“Hoje o produtor de biodiesel emite CBios numa porcentagem muito inferior a sua capacidade e isso decorre do fato de que nós originamos matéria-prima de produtores de grãos ou a usina de biodiesel origina óleo de uma esmagadora e isso não está reconhecido no Renovabio do ponto de vista das certificações”, acrescenta o presidente executivo da Abiove, André Nassar ao defender o que chamou de “adequações” no programa para incluir o setor de biodiesel e outros biocombustíveis obtido a partir de grãos.


O pleito faz parte de uma série de medidas que serão defendidas pelo setor a partir do ano que vem, entre elas o fim da obrigatoriedade da comercialização mínima bimestral de 80% do volume registrado no ano anterior e o aumento da mistura obrigatória, hoje em 10%. “Mesmo que o governo não queira, vamos continuar insistindo”, destacou Nassar.


“Sabemos que a variável mais importante para o governo é o impacto do biodiesel nos índices de inflação, mas também como ele se distribui em toda a economia brasileira porque assim como todo brasileiro come comida, todo caminhão utiliza diesel”, pontua o presidente-executivo da Abiove ao ressaltar que o efeito das mudanças na mistura obrigatória sobre a inflação é “bem pulverizado”. “O que nós queremos mostrar é que, a despeito do fato de que pode haver um impacto no preço do diesel, existem outros impactos na direção contrária na redução de preços no mercado de alimentos”, completa Nassar.


Fonte: BiodieselBR

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