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Luis Pogetti defende livre comércio de etanol e potencial energético brasileiro

O presidente do conselho de administração da Copersucar, da Alvean e do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Luis Pogetti, criticou o protecionismo econômico e defendeu o livre comércio em fala na manhã de ontem, 25, durante a 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo (SP).


Pogetti destacou que, para suprir a necessidade por alimentos e combustíveis limpos, considerando um crescimento populacional mundial estimado em 25% entre 2020 e 2050, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), é necessário manter o livre comércio a fim de obter recursos dos países com mais disponibilidade.


“Estamos vivendo a seca mais rigorosa dos últimos 90 anos; a capacidade produtiva fica ameaçada. Nesta safra, o setor [sucroenergético] está perdendo cerca de 15% de produção em relação à temporada anterior. É 15% menos alimento e combustível limpo para a sociedade. O resultado disso é inflação de alimentos e instabilidade social”, completa o executivo.


Ele ainda relatou que o descuido com o aquecimento global deixará as terras mais áridas e aumentará a dificuldade de produção e alimentação da população.


Nesse contexto, Pogetti destaca o papel do Brasil, com boa disponibilidade hídrica e de terras aráveis para produção, além de potencial para suportar o crescimento da demanda global por alimento e energia renovável de forma eficiente e sustentável “sem tocar nos biomas sensíveis”, como Amazônia e Pantanal.


Ele ainda cita que o Brasil se destaca tanto na produção de etanol quanto na geração de energias limpas como um todo, com 48,4% da matriz energética brasileira sendo renovável. “O mundo está na casa dos 14%. Somos um exemplo mundial. O etanol, nos últimos 40 anos, conseguiu responder a um crescimento de demanda com resposta eficiente de preço”, comenta.


O executivo reitera que, no Brasil, o etanol abastece 48% da frota de carros leves, uma posição que deve ser reforçada com o programa RenovaBio. “O etanol tem capacidade de concorrer com as alternativas necessárias para complementar a demanda de descarbonização da atividade de transporte”, completa.


Pogetti destaca o potencial brasileiro trazendo um estudo da Unicamp com dados do RenovaBio. Segundo os números apresentados, que usam a emissão de carbono de um carro dos Estados Unidos movido à gasolina como ponto de partida, as emissões de um veículo movido à gasolina no Brasil teriam emissões equivalentes a 73% desta referência. A redução é atribuída à mistura de etanol anidro de 27%, enquanto os EUA adotam em torno de 10%.


Na sequência, um veículo elétrico no país estadunidense teria emissões correspondentes a 34% das registradas pelo carro a gasolina. Já um automóvel brasileiro movido à etanol de cana emitiria 21% no mesmo comparativo.


Além disso, embora o executivo considere que o carro a bateria seja “muito bem-vindo”, ele argumenta que sua prevalência no Brasil demandaria “jogar fora essa indústria eficiente”. “Temos uma rede eficiente de distribuição com 40 mil postos de combustíveis e frota com mais de 35 milhões de veículos flex”, acrescenta.


Pogetti também observa que uma cadeia “enorme” de empregos que estaria em jogo. “Além disso, uma rede eficiente de distribuição de energia elétrica para abastecer os carros deve necessitar um investimento de R$ 1 trilhão”, completa, sem citar a fonte desta estimativa.


“Os recursos não podem ser desperdiçados e sim reaproveitados. A indústria de etanol deve ser reaproveitada e exportada para o mundo, para os países em que faz sentido o modelo de etanol”, considera o presidente do conselho de administração.


Pogetti ainda destaca a necessidade de investimento em produtividade para tornar viável o potencial de suprimento de alimento e energia mundial, que ele defende que o país possui.


Conforme análises do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) trazidas pelo executivo, há uma possibilidade, em um horizonte de 15 a 20 anos, do Brasil dobrar a sua produtividade. “Isso é necessário para atender a demanda de combustível, para combater o aquecimento global, e suprir a demanda por alimentos”, diz.

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