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Petróleo Continuará Subindo, Mesmo com Condição Técnica Sobrecomprada

O petróleo já subiu cerca de 60% ou mais neste ano, e todos os indicadores técnicos apontam para sua condição extremamente sobrecomprada, prestes a enfrentar uma correção. No entanto, como ocorre com qualquer ativo cuja demanda implícita atrai mais atenções do que seu uso concreto, o petróleo deve continuar em alta.


Sobretudo após o movimento de segunda-feira da Opep+ de rejeitar qualquer possibilidade de aumentar a oferta além do que já havia se comprometido para satisfazer um mercado que está sob seu absoluto controle. Antes da reunião de segunda-feira entre os 23 países que compõem a aliança, especulava-se que o cartel concordaria em elevar sua produção além dos 400.000 barris por dia, volume com o qual havia se comprometido no fim de abril.


Mas, depois de encerrada a videoconferência entre os 13 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, liderados pela Arábia Saudita, e seus 10 aliados conduzidos pela Rússia, a mensagem foi clara: não haveria qualquer mudança.


Tampouco houve qualquer anúncio oficial a respeito. Mas uma autoridade saudita disse ao Wall Street Journal que o “reino estava confortável com a atual faixa de preços e acreditava que eles não pesariam sobre a demanda”.



Outros comentários de bastidores por parte dos delegados da Opep+ procuraram preencher as lacunas. Um deles chegou mesmo a dizer à Reuters:


“Temos medo de uma quarta onda do corona, ninguém quer fazer qualquer movimento grande”.


Isso acabou soando como um pouco de drama, em vista da diminuição de casos da variante Delta nas últimas semanas e das reuniões mensais da Opep+, que permitem ao grupo ajustar a produção sempre que necessário.


O domínio praticamente incontestável da aliança sobre a oferta é outra razão que permite à Opep+ atuar como mais lhe aprouver. O ímpeto produtivo da indústria petrolífera americana se desvaneceu e, em seu lugar, estão empresas exploradoras mais avessas ao risco do que nunca nesses sete anos em que o shale oil se tornou um fenômeno global.


As prolíficas bacias de petróleo do Permiano e Bakken estão agora produzindo bem abaixo da sua capacidade, à medida que os produtores tentam agradar seus acionistas com dividendos, em vez de frustrá-los com prejuízos, como antes. Não é demais dizer que a nova máxima da indústria é: se a Opep tem o controle do mercado, não tente desafiá-la.


Como declarou Scott Sheffield, diretor da Pioneer Natural Resources (NYSE:PXD) (SA:P1IO34), ao Financial Times na semana passada:


“Todo mundo vai ser disciplinado, não importa se o barril de Brent está a 75, 80 ou 100 dólares. Todos os acionistas com os quais eu conversei disseram que se alguém voltar ao crescimento, será punido através dos preços das suas ações.”


E se havia alguma dúvida a respeito, Sheffield deixou absolutamente claro que o mercado petrolífero está “realmente sob o controle da Opep”.


Mike Wirth, CEO da Chevron Corp (NYSE:CVX) (SA:CHVX34), outra grande empresa produtora americana, disse recentemente à Bloomberg News:


“Estou à espera de dois sinais e só vou ver um deles: poderíamos nos dar ao luxo de investir mais. O mercado acionário não está emitindo sinais de que deveríamos estar fazendo isso”.


Como ressaltou Liam Denning, colunista de energia da Bloomberg, em um comentário na segunda-feira:


“A inundação de dólares no shale durante a maior parte da última década suprimiu os preços dos barris de petróleo, da mesma forma que o dinheiro barato suprimiu os preços dos serviços de motoristas particulares e espaços flexíveis de escritório.”


“O fraturamento é mais eficiente do que era há 10 anos, mas os investidores agora demandam muito, muito mais. Da mesma forma, os custos para manter e reposicionar as economias dos ‘petroestados’ significam que a famosa produção a baixo custo dos membros da Opep+ não é tão de baixo custo como se apregoava”.


No entanto, nem a Opep nem os produtores americanos parecem estar dispostos a despejar mais barris no mercado com os preços retornando às máximas de 2017 e os estoques de cinco anos nas economias desenvolvidas da OCDE bem abaixo das metas.


Há, evidentemente, boas razões que explicam porque os produtores americanos não estão se arriscando tanto quanto antes, sobretudo em vista das políticas energéticas empreendidas pelo atual presidente americano Joe Biden, no sentido de acabar com os combustíveis fósseis. É bem verdade que o mundo precisa de energias mais verdes, mas também precisa sustentar seus cidadãos com “alternativas concretas” até alcançar essa transição.


E se os preços do petróleo estão nas alturas, é porque o gás natural disparou ainda mais, subindo 130%, e a substituição do gás pelo petróleo para atender à demanda de calefação no inverno está intensificando ainda mais o rali no óleo.


Mas se os preços do petróleo continuarem subindo a ponto de prejudicar a recuperação econômica e, por conseguinte, a demanda, é isso o que acabará decidindo as coisas, e não os anseios dos fornecedores”, afirmou Denning, colunista da Bloomberg.


Esse é basicamente o meu ponto de vista, expresso em uma publicação no fim de setembro que dizia: “quem acompanha as commodities por tempo suficiente sabe que preços altos atraem mais preços altos”.


Naquela oportunidade eu escrevi que:


“Se a premissa da demanda é que alguém só está disposto a pagar aquilo que consegue, então a destruição da demanda deve se concretizar se os preços do petróleo e do gás natural não pararem de subir”.


Portanto, a grande questão é: até onde o petróleo pode ir no curto prazo?


Como a maioria de vocês já sabe, o Goldman Sachs prevê que o Brent atingirá a cotação de US$90. Analistas do Standard Chartered certamente não acreditam que os preços atuais se justificam e explicaram seu ponto de vista em uma publicação no site da nasdaq.com.


Já o analista técnico indiano Sunil Kumar Dixit, contribuidor regular do Investing.com, fez uma análise do petróleo West Texas Intermediate e explicou por que ele continuar subindo e testar a resiliência do mercado, apesar da sua condição técnica extremamente sobrecomprada.


Segundo Dixit:


“Os preços do WTI mantiveram viés altista nos gráficos mensal, semanal e diário, com o índice de força relativa em território sobrecomprado, sem qualquer oscilação descendente nas últimas semanas”.


Com base nas médias móveis, ele declarou que “os preços devem permanecer fortes, desde que a média móvel simples de 200 meses se mantenha firme a US$69,88”.


“Se os preços do petróleo ficarem abaixo da MME 5 dias a US$76,58 e da MME de 5 semanas a US$74.52, emitiria sinais veementes de uma distribuição de preços e possível correção até a MMS de 200 meses a US$69,88. Isso também está em linha com a retração de 50% de Fibonacci medida desde a máxima de julho de US$77,17 até a mínima de agosto de US$62,05.”


Ele afirmou que, caso o rali se estenda, o nível de 123,6% a 80,73 seria o próximo alvo, seguido do nível de 138,2% a 82,95.


“A forte zona de resistência pode estar no nível de 150% a 84,73 e 161,8% a 86,51.”


Aviso de isenção: Barani Krishnan utiliza diversas visões além da sua para oferecer aos leitores uma variedade de análises sobre os mercados. A bem da neutralidade, ele apresenta visões e variáveis de mercado contrárias. O analista não possui posições nos ativos e commodities sobre os quais escreve.

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