• Valor Econômico

Petróleo fecha em forte queda após anúncio de lockdown em Xangai

Os contratos futuros do petróleo fecharam a sessão desta segunda-feira (28) em forte queda, pressionados pelos temores de que novos lockdowns na China para conter um novo surto de covid-19 no país prejudiquem a demanda pela commodity.

O contrato do petróleo Brent, a referência global da commodity, para junho fechou em queda de 6,71%, a US$ 109,49 por barril, enquanto o do petróleo WTI, a referência americana, para maio recuou 6,97%, a US$ 105,96 por barril. O índice dólar DXY, que normalmente tem correlação negativa com o petróleo, operava, no meio da tarde desta segunda, em alta de 0,34%, a 99,128 pontos.

A China lançou, nesta segunda-feira, um lockdown em Xangai, confinando parte dos cerca de 25 milhões de habitantes da capital financeira chinesa, para conter o avanço da doença, depois de já ter estabelecido previamente restrições em outras regiões do país, como Shenzhen e Wuhan.

“Isso também está provocando preocupações crescentes de que a rígida política de 'zero covid' da China levará a repetidos bloqueios nos principais centros de negócios, o que provavelmente não deixará a demanda por petróleo na China ilesa”, escreveu Carsten Fritsch, analista do Commerzbank, em relatório diário.

Apesar das quedas expressivas na sessão desta segunda, os contratos futuros do petróleo ainda acumulam, no mês de março, fortes ganhos de mais de 14% para o Brent e de mais de 12% para o WTI, depois de um salto dos preços, motivado pelos temores em torno da invasão da Ucrânia. No ano, ambos os contratos acumulam alta de cerca de 42%.

Os investidores têm acompanhado as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, e a pressão de alta sobre os preços da commodity também recebem algum alívio depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o seu governo está pronto para declarar neutralidade, desistindo da ideia de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e prometendo não desenvolver armas nucleares, se a Rússia retirar suas tropas do país.

Mesmo que haja essa esperança por avanço nas tratativas, por enquanto, a falta de um sinal mais concreto fornece sustentação a uma potencial subida dos preços do petróleo ao longo da semana.O IG também citou o impasse do acordo nuclear do Irã e qualquer escalada dos ataques às instalações petrolíferas na Arábia Saudita, que foram alvos de ataques de rebeldes houthi na semana passada.

Além disso, a equipe do IG avalia que os contratos futuros do petróleo testam uma forte resistência, depois de o vencimento para maio do tipo Brent testar o nível técnico de US$ 118 o barril, na semana passada.

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