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Petróleo ultrapassa US$ 130; EUA bloqueiam importação de petróleo e gás da Rússia

Diante da decisão dos Estados Unidos de proibirem a importação do petróleo, gás e carvão da Rússia, seguida do anúncio do Reino Unido sobre a eliminação gradual das importações da commodity russa, a volatilidade deu o tom nos mercados financeiros.


Nesta terça-feira, 8, os preços do petróleo alcançaram US$ 132,50, em alta de mais de 7%. No fim da tarde, porém, o barril Brent era cotado a US$ 128,78, com variação positiva de 4,52%. Já o gás natural caiu 6,33%, indo para US$ 4,53 o milhão de BTUs.


As bolsas americanas operavam no positivo após o discurso de Biden. Por volta de 14h20, no horário de Brasília, o índice Dow Jones subia 1,22% e o S&P, 0,06%. A Bolsa Nasdaq avançava 1,64%. À tarde houve uma inversão: o índice Dow Jones caiu 0,56%, o S&P também apresentou queda de 0,72%, enquanto a Bolsa Nasdaq recuou 0,28%.


Na Europa, a Bolsa de Londres subiu 0,11%, enquanto o índice DAX, da bolsa de Frankfurt, recuou 0,02%. Em Paris, o CAC-40 caiu 0,32%. Já na Ásia, os mercados fecharam em baixa. O Nikkei, da bolsa de Tóquio, caiu 1,71%, enquanto a Bolsa de Hong Kong perdeu 1,39%.


"Tudo é hipersensível ao que pode acontecer. É muito difícil prever o dia a dia", disse o estrategista-chefe de mercado da TD, Ameritrade JJ Kinahan.


Mundo aplica sanções


O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou a proibição da importação do petróleo, gás e carvão da Rússia. É a mais nova sanção ao país, que é um grande produtor mundial de combustíveis fósseis.


O Reino Unido também disse que vai aderir ao embargo. No início da tarde desta terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson confirmou que pretende eliminar, gradualmente, as importações de petróleo e derivados russos até o fim de 2022. Ao mesmo tempo, a Rússia ameaçou, na madrugada de hoje, bloquear o envio de gás para a Europa.


Já a União Europeia não deverá adotar medidas imediatas, mas anunciou hoje um plano estratégico para reduzir drasticamente a dependência do petróleo e, principalmente, do gás russo.


"Devemos nos tornar independentes do petróleo, carvão e gás russos. Simplesmente não podemos confiar em um fornecedor que nos ameaça explicitamente", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.


A expectativa de um anúncio por Biden e Johnson fez a cotação do petróleo do tipo Brent, referência internacional, alcançar US$ 132,50, em alta de mais de 7%. O petróleo leve americano, referência nos EUA, avança mais de 7%, sendo negociado a US$ 127,73.


Importações da Rússia


A Europa importa 41% do gás que consome da Rússia. Além disso, depende do petróleo (27% das importações) e do carvão (47% das compras) russos como fonte de energia.


Enquanto os Estados Unidos importam cerca de 400 mil barris diários de petróleo da Rússia, os países europeus compram muito mais: 4,3 milhões de barris por dia. Além disso, 800 mil barris chegam ao continente europeu via dutos - ou seja, um bloqueio coordenado demandaria tempo e não poderia ser imediato.


Os EUA, por sua vez, ensaiam uma aproximação com a Venezuela para suprir seu mercado quando o bloqueio do petróleo russo entrar em vigor.


No caso do Reino Unido, as importações da Rússia são 8% do total comprado pelo país e 18% no caso do diesel.


A inclusão do petróleo na lista de sanções americanas vai representar uma escalada nas retaliações ocidentais à Rússia pela invasão da Ucrânia. Os insumos energéticos -- petróleo e gás -- não foram incluídos nas primeiras levas de sanções justamente pelo efeito bumerangue que provocariam, com preços de gasolina e energia disparando para os consumidores de EUA e Europa.


Nos Estados Unidos, o galão de gasolina alcançou o maior patamar desde 2008, e os preços estão em alta em vários países europeus.

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