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Preços nos postos: Queda da gasolina e alta do etanol fazem renovável perder vantagem

Pela terceira semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros; a gasolina, por outro lado, caiu pela primeira vez depois de três semanas seguidas de acréscimo.

Entre 20 e 26 de março, o biocombustível passou de R$ 4,938 por litro para R$ 4,952/L na média nacional, aumento de 0,28%. Já a gasolina foi de R$ 7,267/L para R$ 7,210/L, queda de 0,78%.

A alta do preço do biocombustível pode ser justificada pela instabilidade do mercado de combustíveis. Pelo mesmo motivo, a gasolina também poderá sofrer com alterações, uma vez que a defasagem do combustível chegou a 10% em comparação com os valores internacionais no final da semana passada.

Já o biocombustível deverá sofrer com as oscilações por todo o ano de 2022. Elas serão motivadas tanto por parte do petróleo, quanto pelo clima, de acordo com levantamento da S&P Global Platts.

Desta forma, na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 68,7%, acima do resultado do período anterior, quando era de 68%.

Este é o primeiro aumento depois de dez semanas de redução no indicador. Ainda assim, o etanol segue comercialmente competitivo na média nacional. Ou seja, a relação entre os preços ficou abaixo do limite de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como vantajoso para os consumidores.

Considerando as médias estaduais, o biocombustível segue economicamente vantajoso nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e São Paulo.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 396 municípios, oito a mais do que no período anterior.

Por sua vez, congelar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina por mais três meses, indo de R$ 3,2827/L para R$ 3,2738/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve uma queda de 0,92% nas produtoras goianas e de 0,72% nas mato-grossenses.

Últimos acontecimentos

Em relação aos trâmites legais relacionados aos preços dos combustíveis, os governadores decidiram congelar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina por mais três meses, indo até junho sem atualização da taxa. Os representantes dos estados também pretendem ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma regra de transição que busca congelar a cobrança do imposto sobre o diesel.

Por sua vez, o governo federal anunciou mais uma medida para tentar conter os preços: zerar o imposto de importação do açúcar e do etanol anidro. De acordo com o Ministério da Economia, o impacto na gasolina, que usa uma mistura de 27% do biocombustível anidro, poderia chegar a R$ 0,20. Entretanto, especialistas já afirmaram que o preço do fóssil cairá menos de um centavo com a isenção.

Ao mesmo tempo, integrantes do ministério comandado por Paulo Guedes, em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, voltaram a criticar a política de preços da Petrobras e afirmaram que, embora o governo não possa alterá-la, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderia intervir contra “práticas abusivas”.

Já o ex-presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, considera que a atual discussão sobre o preço do combustível fóssil é uma perda de tempo e que o Brasil deveria focar na aprovação de reformas para permitir o crescimento econômico.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 20 e 26 de março, o preço do etanol subiu na média de 17 estados e no Distrito Federal, caiu em oito e não foi verificado no Amapá. A gasolina, por sua vez, subiu em 3 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma queda de 0,17%, custando R$ 4,686/L em média, o menor valor entre todos os estados do país. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,857/L, decréscimo de 0,15%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 68,3% e se mantendo favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 107 cidades paulistas, uma a menos do que na semana anterior.

Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,920/L na média da semana analisada, queda de 0,18%. Enquanto isso, a gasolina caiu 0,94%, para R$ 7,387/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 66,6%, acima dos 66,1% de uma semana antes, mas ainda favorável ao etanol. Segundo a ANP, 16 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que uma semana antes.

Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 1,01% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,121/L. A gasolina passou por uma queda de 0,11% e foi negociada a R$ 7,530/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 68% do preço do combustível fóssil, que, apesar de levemente superior ao índice visto na semana anterior, de 67,3%, manteve a competitividade no estado. No total, 49 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 3,25%, a maior elevação dos seis principais produtores pela segunda semana consecutiva, para R$ 4,769/L. Na semana, a gasolina caiu 1,09%, passando a custar R$ 6,981/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 68,3%, acima dos 65,4% de uma semana antes, mas seguindo economicamente vantajoso ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, mesmo total registrado no último levantamento.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 1,42%, ficando em R$ 5,151/L. A gasolina, por sua vez, teve uma queda de 0,38%, para R$ 7,008/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 73,5% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 72,2% de uma semana antes, e a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 72,2% do preço da gasolina. No período, o renovável teve um decréscimo de 0,44%, sendo vendido por R$ 5,237/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina caiu 0,19%, indo para R$ 7,250/L. No total, 26 cidades foram pesquisadas no estado, três a mais do que o visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 20 e 26 de março, 396 cidades foram pesquisadas, oito a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

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