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Vendas de etanol em junho, antes das mudanças na tributação, cresceram 3,3%

Em junho, quando as negociações sobre redução tributária no setor de combustíveis avançavam em Brasília e o etanol hidratado estava competitivo em relação à gasolina, as vendas do biocombustível tiveram um pequeno crescimento no país. As distribuidoras comercializaram 1,349 bilhão de litros no mês, volume 3,3% maior que o de maio e 5,5% superior ao de junho do ano passado, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em São Paulo, que representa metade do consumo nacional de etanol, o volume comercializado aumentou 5,4% em comparação com o mês anterior, para 671,9 milhões de litros. “Em junho, a competitividade [do etanol hidratado em relação à gasolina] estava boa, [com um correlação de preços] entre 67% a 66% em São Paulo, então as vendas foram relativamente boas”, avaliou Martinho Ono, diretor da SCA Trading. Mas, na segunda quinzena de junho, conforme tomava forma o projeto de lei que impôs um teto ao ICMS sobre os combustíveis e os isentou de PIS/Cofins e Cide, as distribuidoras começaram a se desfazer de seus estoques e a comprar “da mão para a boca”, observa o analista. Para ele, “as vendas [das distribuidoras] que ocorreram não refletem o volume que efetivamente aconteceu, porque houve redução de inventários”. O projeto foi aprovado na última semana de junho. Os dados das vendas de etanol ao mercado consumidor em julho só serão divulgados no fim de agosto. Para Ono, os números das vendas das usinas do Centro-Sul da primeira quinzena de julho, divulgados na última semana pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), já indicam que distribuidoras e revendedores passaram por uma recomposição de estoques no período. O mercado consumidor de etanol, porém, viveu situação inversa, já que as alterações tributárias retiraram a competitividade do biocombustível. “Houve uma reposição grande de compras com uma saída menor”, disse o analista. Desaceleração em julho Para julho, a expectativa é que as vendas tenham apresentado desaceleração. Embora a “PEC das Bondades”, que incluiu a previsão de diferencial tributário aos biocombustíveis, tenha sido aprovada na metade do mês, os Estados têm aplicado a nova regra de maneira paulatina. São Paulo e Minas Gerais divulgaram suas reduções de alíquota no dia 18, pouco depois da promulgação da PEC, mas Mato Grosso e Rio Grande do Norte, por exemplo, só anunciaram a medida na última sexta-feira. De acordo com Ono, o mercado de etanol passou “todo esse período de forma não-competitiva” em relação à gasolina. Outro fator que reduz a competitividade do etanol é o congelamento do preço médio ao consumidor final — definido pelos Estados — ao valor de novembro de 2021.

Autor/Veículo: Valor Econômico

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